2 de jul. de 2007

O Poema...

Pudesse Eu


Pudesse eu

não ter laços nem limites

Ó vida de mil faces transbordantes

Para poder responder aos teus convites

Suspensos na surpresa dos instantes!


Sophia de Mello Breyner Andreson



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A dança

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As artérias

colagem: Jugioli
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A dança










.colagem.
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29 de jun. de 2007

De Anima


"Por um sentido entende-se o que tem o poder de receber as formas sensíveis das coisas, sem a matéria"

Aristóteles, in De Anima.



Fotocolagem: Jugioli
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25 de jun. de 2007

Vida líquida

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Fotomontagem do dia

Jugioli

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24 de jun. de 2007

Bactérias Poéticas




Schelling: " Sem essa obscuridade prévia, a criatura não teria nenhuma realidade: a trevas são necessariamente o seu jardim"


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22 de jun. de 2007

Água-cor


Água-cor

O País da cor é líquido
E revela-se
Na anilina dos vasos da farmácia.
Basta olhar, e flutuo sobre o verde
Não verde-mata, o verde-além-do verde.

E o azul é uma enseada
Na redoma.
Quizera nascer lá; estou nascendo.
Varo a lágrima de ouro do amarelo.
A cor é existente; o mais é falácia.


Carlos Drummond de Andrade.

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18 de jun. de 2007

O lugar da casa


O lugar da Casa

Uma casa que fosse um areal
Deserto, que nem casa fosse;
Só um lugar
Onde o lume foi acesso, e à sua roda
Se sentou a alegria; e aqueceu
As mãos, e partiu porque
Tinha um destino:
Crescer como árvore,
Resistir ao vento,
Ao rigor da invernia.
A certa manhã sentir os passos de abril
Ou ,quem sabe?, a floração dos ramos,
E de novo estremecem
Com o repentino canto da cotovia.

(Eugênio de Andrade)

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O lugar da casa

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16 de jun. de 2007

Bactérias poéticas




A um gérmen

Começaste a existir, geléia crua,
E hás de crescer, no teu silêncio, tanto
Que, é natural, ainda algum dia, o pranto
Das tuas concreções plásmicas flua!

A água, em conjugação com a terra nua,
Vence o granito, deprimindo-o ...
O espantoConvulsiona os espíritos, e,
entanto,
Teu desenvolvimento continua!

Antes, geléia humana, não progridas
E em retrogradações indefinidas,
Volvas à antiga inexistência calma!...
Antes o Nada, oh! gérmen,
que ainda haveres
De atingir, como o gérmen de outros seres,

Ao supremo infortúnio de ser alma



. Augusto dos Anjos

As artérias


O Poema

Um poema cresce inseguramente
Na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
Talvez como sangue
Ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
Ou os bagos de uva de onde nascem
As raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
Do nosso amor,
Rios, a grande paz exterior das coisas,
Folhas dormindo o silêncio
- a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
Invade as casas deitadas nas noites
E as luzes e as trevas em volta da mesa
E a força sustida das coisas
E a redonda e livre harmonia do mundo.
-Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.

Herberto Helder in Poesia Toda
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1 de jun. de 2007

.................O nada

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Bactérias poéticas


Hermann Hesse

"Impuro e desfigurante é o olhar da vontade -

só quando nada cobiçamos,

só quando o nosso olhar nada mais é senão pura observação,

é que a alma das coisas, a sua beleza, se nos revela."


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...........Bactérias Poéticas


Fotomontagem

31 de mai. de 2007

Porque Ler os Clássicos... 1


Porque ler os clássicos... Para entender e refletir que:

"A consistência e o odor do carvalho começam já a falar perceptivelmente da lentidão e da constância com que a árvore cresce.

O próprio carvalho assegura que só este crescer pode fundar o que dura e fortifica.
Crescer significa abrir-se à amplidão do céu mas também deitar raízes na obscuridade da terra.

Tudo o que é verdadeiro é autêntico somente chega à maturidade se o homem for ao mesmo tempo ambas as coisas:

disponível ao mais alto céu e abrigado pela proteção da terra que tudo oculta e produz."

Martin Heidegger.



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22 de mai. de 2007

Acantos



Qual é o indefinível
Encanto dessa idéia?
Essa mistura de acasos,
De quanto desperto
É minha nova consciência.

O sensual e o terreno
Do olhar que sonha
O etéreo desprender-se do chão.

Momentos fugazes e ligeiros
Vividos neste intervalo
Imperceptível,
Entre o expirar e inspirar,
Entre a sístole e a diástole
De um pulsar.


Foto e poema: Jugioli

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Hemingway e o tempo


Descascando Laranjas

Ernest Hemingway, o autor do clássico “ O Velho e o Mar”, misturava momentos de dura atividade física com períodos de inatividade total. Antes de sentar-se para escrever as páginas de um novo romance, passava horas descascando laranjas e olhando o fogo.
Certa manhã, um repórter notou esse estranho hábito.

“Você não acha que está perdendo tempo?”, perguntou o repórter. “ Você é tão famoso, não deveria fazer coisas mais importantes?”

“Estou preparando a minha alma para escrever, como um pescador prepara seu material antes de sair ao mar”, respondeu Hemingway. “ Se ele não fizer isso e achar que só o peixe é importante, jamais irá conseguir coisa alguma”.
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pintura: Aivazovsky

14 de mai. de 2007

Kafka manuscritos

"O ser na palavra
O ser na imagem"

Achados virtuais
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12 de mai. de 2007

Manuel Bandeira


Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público
Com livro de ponto expediente
Protocolo e manifestações de
Apreço ao Sr. Diretor.

Estou farto do lirismo que pára
E vai averiguar dicionário
O cunho vernáculo de um
Vocábulo.

Abaixo os puristas.

Todas as palavras sobretudo os
Barbarismos universais.
Todas as construções sobretudo
As sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo
Os inumeráveis.

Estou farto do lirismo namorador
Político
Sifilítico
De todo lirismo que capitula
Ao que quer que seja
Fora de si mesmo

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela
De cosenos secretário
Do amante exemplar com
Cem modelos de cartas
E as diferentes maneiras
De agradar às mulheres,
Etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Skakespeare

Não quero mais saber do lirismo
Que não é libertação.
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Manuel Bandeira
Lirismo de maio

As @ Artérias

As  @ Artérias