29 de jun de 2007

De Anima


"Por um sentido entende-se o que tem o poder de receber as formas sensíveis das coisas, sem a matéria"

Aristóteles, in De Anima.



Fotocolagem: Jugioli
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25 de jun de 2007

Vida líquida

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Fotomontagem do dia

Jugioli

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24 de jun de 2007

Bactérias Poéticas




Schelling: " Sem essa obscuridade prévia, a criatura não teria nenhuma realidade: a trevas são necessariamente o seu jardim"


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22 de jun de 2007

Água-cor


Água-cor

O País da cor é líquido
E revela-se
Na anilina dos vasos da farmácia.
Basta olhar, e flutuo sobre o verde
Não verde-mata, o verde-além-do verde.

E o azul é uma enseada
Na redoma.
Quizera nascer lá; estou nascendo.
Varo a lágrima de ouro do amarelo.
A cor é existente; o mais é falácia.


Carlos Drummond de Andrade.

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18 de jun de 2007

O lugar da casa


O lugar da Casa

Uma casa que fosse um areal
Deserto, que nem casa fosse;
Só um lugar
Onde o lume foi acesso, e à sua roda
Se sentou a alegria; e aqueceu
As mãos, e partiu porque
Tinha um destino:
Crescer como árvore,
Resistir ao vento,
Ao rigor da invernia.
A certa manhã sentir os passos de abril
Ou ,quem sabe?, a floração dos ramos,
E de novo estremecem
Com o repentino canto da cotovia.

(Eugênio de Andrade)

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O lugar da casa

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16 de jun de 2007

Bactérias poéticas




A um gérmen

Começaste a existir, geléia crua,
E hás de crescer, no teu silêncio, tanto
Que, é natural, ainda algum dia, o pranto
Das tuas concreções plásmicas flua!

A água, em conjugação com a terra nua,
Vence o granito, deprimindo-o ...
O espantoConvulsiona os espíritos, e,
entanto,
Teu desenvolvimento continua!

Antes, geléia humana, não progridas
E em retrogradações indefinidas,
Volvas à antiga inexistência calma!...
Antes o Nada, oh! gérmen,
que ainda haveres
De atingir, como o gérmen de outros seres,

Ao supremo infortúnio de ser alma



. Augusto dos Anjos

As artérias


O Poema

Um poema cresce inseguramente
Na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
Talvez como sangue
Ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
Ou os bagos de uva de onde nascem
As raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
Do nosso amor,
Rios, a grande paz exterior das coisas,
Folhas dormindo o silêncio
- a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
Invade as casas deitadas nas noites
E as luzes e as trevas em volta da mesa
E a força sustida das coisas
E a redonda e livre harmonia do mundo.
-Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.

Herberto Helder in Poesia Toda
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1 de jun de 2007

.................O nada

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Bactérias poéticas


Hermann Hesse

"Impuro e desfigurante é o olhar da vontade -

só quando nada cobiçamos,

só quando o nosso olhar nada mais é senão pura observação,

é que a alma das coisas, a sua beleza, se nos revela."


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...........Bactérias Poéticas


Fotomontagem

As @ Artérias

As  @ Artérias