6 de mar de 2007

Sobre o Tempo...


As coisas
A bengala, as moedas, o chaveiro,
a dócil fechadura, as tardias notas que não lerão os poucos dias
que me restam, os naipes e o tabuleiro,
um livro e em suas páginas a ofendida violeta,
monumento de uma tarde,
de certo inesquecível e já esquecida,
o rubro espelho ocidental em que arde uma ilusória aurora.
Quantas coisas, limas, umbrais, atlas e taças, cravos,
nos servem como tácitos escravos,
cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão muito além de nosso olvido:
E nunca saberão que havemos ido.
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Poema: Jorge Luís Borges
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Pintura: Jean-Siméon Chardin (1699-1799)

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